“Como só utiliza o recurso da voz, o ClubHouse não valoriza a apresentação visual das pessoas”

Um dos assuntos mais comentados das últimas semanas no universo digital é a chegada do ClubHouse, um aplicativo que nasce com uma proposta inovadora (mas nem tanto) e, de certa forma, antagônica.

Ao mesmo tempo em que é inovador, o ClubHouse traz em sua essência conceitos amplamente conhecidos e difundidos. Um deles envolve a transmissão, só é possível ingressar nas salas de discussão para acompanhar transmissões ao vivo, o que remonta aos programas de rádio (uma mídia centenária!). O outro, é o conceito de comunidade, popularmente difundido nos tempos do extinto Orkut, pois as pessoas procuram as salas de bate-papo por afinidade de interesses, que podem envolver assuntos do mundo dos negócios, economia mundial, tecnologias educacionais e outros temas mais densos, bem como tem atraído um público com interesses voltados ao entretenimento, que vem lotando salas que abordam os últimos acontecimentos no programa Big Brother Brasil, por exemplo. E, sim! Ao vivo! Ao mesmo tempo em que o programa está no ar, os “comentaristas de plantão” emitem suas opiniões, tal qual fazem há anos por meio do Twitter, utilizado como “segunda tela”.

O segundo antagonismo também é interessante. Embora o ClubHouse seja altamente nichado pois só está disponível para aqueles que possuem um Iphone – que não é um celular popular -, é possível perceber, ainda, um caráter fortemente inclusivo, por diversos aspectos.

Um deles é o fato dele ressaltar o grupo em detrimento do indivíduo. Como só utiliza o recurso da voz, o ClubHouse não valoriza a apresentação visual das pessoas, o que facilita a interação dos inibidos ou retraídos quanto à sua imagem ou daqueles que se preocupam demais em aparecer de um determinado jeito para as câmeras e, até mesmo, em construir um “cenário” que denote algum posicionamento específico. Estantes recheadas de livros são totalmente dispensáveis para quem utiliza o ClubHouse.

O ClubHouse quebra esta barreira, unificando e nivelando as pessoas sem impor, ainda que implicitamente, nenhuma distinção social ou financeira, e valorizando, essencialmente, o conteúdo.

Outra inclusão que não tem sido abordada desde o seu lançamento, é o fato de que o aplicativo nasce, também, como uma nova forma de se comunicar para aqueles que possuem algum tipo de deficiência visual, uma vez que as outras redes sociais funcionam, basicamente, por meio de apelos visuais, sejam eles fotos, vídeos ou textos. Assim, podemos avaliar o ClubHouse como uma rede social nichada, porém, inclusiva, que quebra barreiras presentes em outras redes e promove networks simples, não necessariamente por negócios, mas por tribos e interesses, de maneira mais democrática e valorizando a qualidade de conteúdo.

A Voz e Conteúdo é uma incubadora de conteúdos multiplataforma, criada com o propósito de amplificar vozes e transformar vidas por meio da voz e do conteúdo.

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